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Tecnologia, progresso e liberdade

A tecnologia representa a tentativa de facilitar a vida humana. Os avanços tecnológicos melhoram o padrão de vida, aumentam o tempo livre das pessoas, além de eliminar a pobreza e levar à criação de uma variedade de produtos. O progresso permite que nos dediquemos mais ao desenvolvimento pessoal, isto é, à reflexão sobre os grandes temas: amor, religião, moral e cultivo da alma.

Se as pessoas resistissem à mudança tecnológica, estariam expressando seu contentamento com os níveis atuais de doença, fome e privação. Ademais, sem experimentação e mudança, a existência humana seria tediosa; a realização humana depende do novo, do surpreendente e principalmente, do criativo.

A ideia inovadora de um homem não só contribui para o progresso dos outros, mas também cria condições que permitem o avanço deles. Ideias interagem entre si, e inovações são frequentemente usadas em aplicações inesperadas. O progresso tecnológico envolve uma série de estágios que consistem em experimentação, competição, erros e feedback.

Inovações não só substituem produtos; por si só, desenvolvem novos mercados e expandem os existentes. A tecnologia não leva a um aumento líquido no desemprego ou torna o trabalho obsoleto. Embora elimine alguns empregos, ela é criadora líquida de empregos, já que os lucros dela resultantes são reinvestidos. Novas tecnologias podem requerer o desenvolvimento de novas habilidades e, talvez, de recolocação profissional, conquanto não gere desemprego sistêmico. Como o desenvolvimento tecnológico aumenta a produtividade, a demanda por trabalho tenderá a crescer, criando mais oportunidades de emprego e aumento dos salários. O aumento na produtividade do trabalho também eleva as chances de alguns desempregados, cujo custo marginal previamente excedia sua produtividade marginal. Finalmente, como consumidores, os assalariados se beneficiarão da queda no preços dos produtos que tende a resultar do aumento na produtividade e produção.

Liberdade promove progresso tecnológico

Existe uma relação recíproca entre tecnologia e liberdade. Um mercado livre da intervenção governamental é o ambiente mais fértil para o progresso tecnológico e econômico. A liberdade é um pré-requisito do progresso em um mundo imprevisível e de alto risco; ela encoraja a busca do lucro e da inovação, a qual, por sua vez, resulta em maior produtividade e emprego. A tecnologia promove uma sociedade livre ao facilitar novos canais de comunicação, trabalho, competição e negociação com outros, vencendo barreiras físicas e sociais. No passado, a roda e o motor aumentaram e complementaram a força física do homem. Hoje, inovações como o microprocessador amplificam a capacidade intelectual do homem. O motor elétrico, o motor de combustão interna, a iluminação florescente e incandescente, e a internet tiveram efeitos enormes na forma como vivemos e trabalhamos. Tecnologias emergentes tais como a criogenia, as células fotovoltaicas e os aerogéis podem ter o mesmo efeito no futuro.

Quando legisladores aprovam leis que restringem ou proíbem o uso da tecnologia, eles outorgam privilégios a firmas estagnadas e seus funcionários à custa de firmas que teriam usado a nova tecnologia e a funcionários que teriam tido empregos diferentes e, muito provavelmente, melhores. Recursos permanecem em processos tecnológicos obsoletos, mas protegidos, gerando desperdício e impedindo o progresso.

Apelos protecionistas têm origem em firmas que não modernizaram seus processos produtivos e, portanto, são incapazes de competir com empresas mais eficientes, com custo inferior. Tanto a compensação compulsória aos funcionários demitidos como as restrições ao uso da tecnologia reduzirão os lucros das firmas afetadas, reduzindo, deste modo, a acumulação de capital e seu reinvestimento – o qual teria levado a um aumento eventual no nível de emprego.

Amigos e inimigos do progresso

No livro The Future and Its Enemies (O futuro e seus inimigos), publicado em 1998, Virginia Postrel desafia os limites da política convencional – direita versus esquerda, progressistas versus conservadores – dividindo o mundo em dinamistas e estáticos. A tese do livro é a de que o conceito intelectual mais útil e pertinente diz respeito aos que acolhem o futuro e aos que desejam interrompê-lo, voltar ao passado ou regulamentar a mudança.

De acordo com Postrel, os dinamistas preferem uma sociedade aberta em que a criatividade e o empreendedorismo, operando sob regras gerais e previsíveis, geram progresso de formas imprevisíveis. Eles apreciam processos evolucionários como competição de mercado, experimentação lúdica, pesquisa científica e inovação tecnológica; trabalham criativamente vencendo obstáculos e em áreas outrora consideras complexas de modo a construir combinações baseadas na livre interação de imaginação e descoberta. Além disso, eles buscam progresso – em vez de perfeição – via tentativa e erro, feedback contínuos, melhoria incremental, diversidade e escolha. Eles são aprendizes, experimentadores, tomadores de risco e empreendedores que entendem a importância do conhecimento local e de soluções pontuais para problemas complexos. Não causa surpresa que os dinamistas sejam frequentemente atraídos por metáforas biológicas como símbolos de mudança e crescimento imprevisíveis, variedade, experimentação, feedback e adaptação.

Os estáticos têm aversão à mudança e/ou abominam o progresso ou querem controlá-lo de acordo com sua própria visão. Eles incluem os que anseiam a volta do passado, tecnófobos, tecnocratas, defensores de grandes programas assistencialistas, e indivíduos cujos investimentos ou empregos estão em risco devido à inovação. Eles podem vir da “esquerda” (sindicalistas, ambientalistas, luditas), ou da “direita” (tradicionalistas, nativistas). Os estáticos da “esquerda” querem regular o mercado e o desenvolvimento da tecnologia; os da “direita” são céticos quanto à mudança e têm inclinações econômicas protecionistas.

É claro, nem toda a mudança vem para o bem. A conveniência de uma dada mudança está sujeita ao escrutínio racional. O que se exige é uma estrutura institucional libertária que garanta ao homem a liberdade de buscar seu bem-estar moral e material, contanto que não infrinja o direito equivalente dos outros. Só então uma pessoa será capaz de usar sua racionalidade e livre-arbítrio para escolher, criar e integrar todos os valores, virtudes e bens que possam levar ao bem-estar individual. Isso naturalmente inclui avaliação racional, escolha e uso da tecnologia e inovações.

Privatizando programas federais de P&D

Ciência e tecnologia são mais produtivas no livre mercado que no planejamento central. O indivíduo é superior ao governo na obtenção de conhecimento, e o sistema de propriedade privada e livre empresa é capaz de recompensar a criatividade humana. Não há evidência que inovações advenham da burocracia governamental; mesmo se assim fosse, os empreendedores normalmente logram o que os planejadores afirmam não ser possível.

Como o motor da inovação e produtividade é o investimento no setor privado, segue que deveríamos favorecer um ambiente econômico que premia o investimento privado em P&D e promove o uso efetivo e inovador da tecnologia na iniciativa privada.

Nós precisamos retirar a responsabilidade pela inovação tecnológica das mãos do Estado, repassando-a aos empresários e consumidores privados. Atualmente, cerca de 700 laboratórios de pesquisa científico-tecnológicas são de propriedade do governo federal. Recentemente, eles expandiram seu escopo além do P&D básico para oferecer serviços que competem com empresas privadas dos setores de energia e testes laboratoriais. A privatização acabaria com subsídios a grandes indústrias (petróleo e aeroespacial). Ademais, libertaria os laboratórios das restrições do processo orçamentário federal, do processo moroso de compra, das regras de serviço civil e da incapacidade de vender seus serviços a preços de mercado.

Defensores do financiamento federal de pesquisa argumentam que o setor privado fará muito pouco devido às falhas de mercado resultantes da espionagem industrial, por exemplo. Consequentemente, segue o argumento, haverá um subinvestimento em P&D.

Não há evidência nem do triunfo do governo nem do fracasso dos mercados. No setor público, os fundos de pesquisa são alocados com base em critérios políticos; é uma forma de gasto eleitoral, por assim dizer. Os políticos, frente ao desafio impossível de atribuir prioridades a uma miríade de projetos de pesquisa, tendem a escolher aqueles com o maior número de apoiadores ou os que afetam positivamente os seus eleitores. Por outro lado, cientistas e empreendedores do setor privado são guiados por sinais de preços, escolhendo projetos de pesquisa que, se bem-sucedidos, seriam mais lucrativos e com maior probabilidade de atender às necessidades humanas. Mercados e sinais de preços permitem uso adequado de recursos em projetos de pesquisa, e firmas privadas são recompensadas por resolver problemas importantes. Adicionalmente, a habilidade superior de seleção e uso de recursos de P&D por parte do setor privado maximizará o progresso tecnológico ao longo dos anos.

A privatização de centros de pesquisa federais já deveria ter sido feito. A tarefa de ligar pesquisa às necessidades humanas não pode ficar em mãos da burocracia política. Não é por nada que o setor privado não tem se interessado muito pelas criações dos laboratórios federais.

Redução das atividades federais de transferência tecnológica

Com a aprovação da Stevenson-Wydler Innovation Act (lei da inovação Stevenson-Wydler) de 1980 e o Federal Technology Transfer Act (lei federal de transferência de tecnologia) de 1986, todos os laboratórios federais foram obrigados a desenvolver programas de transferência de tecnologia para o setor privado e governos estadual e municipal. O presidente Reagan apoiou a segunda lei pois acreditava que investimentos em P&D de programas federais não estavam dando retorno suficiente aos contribuintes em termos de novos produtos, processos e empregos. Essa legislação foi substituída pela lei 104-113 de 1996, a qual criou incentivos e encorajou a comercialização de tecnologia criada pelos laboratórios federais. O NTCC, National Technology Transfer Center (Centro Nacional de Transferência Tecnológica), foi estabelecido em 1989 pelo Congresso a fim de oferecer às firmas e indivíduos americanos acesso aos projetos federais de P&D com o intuito de ajudá-los a competir no mercado internacional. Além disso, o governo, de forma redundante, criou seis RTCC, Regional Technology Transfer Centers (Centro Regional de Transferência Tecnológica) para auxiliar as empresas americanas a aumentarem sua competitividade por meio de assistência, aquisição e utilização da estrutura tecnológica pública à serviço do privado.

O uso do P&D federal tem sido diminuto; estudos indicam que somente 10% de patentes do governo federal já foram usadas. Isso não é surpresa. Como o P&D de laboratórios federais tem como foco a realização da missão da agência em questão, as decisões refletem necessidades políticas, e não comerciais.

Em última instância, a privatização dos centros federais de pesquisa transferirá recursos de burocratas, cientistas e agentes estáticos para os dinamistas do setor privado que são mais capazes de utilizá-los em prol da prosperidade econômica, progresso tecnológico e inovação cultural.

Artigo original: “Technology, Progress, and Freedom”
Autoria: Edward Younkins

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Equipe Cedro

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