Mercado e tecnologia nos tornam mais seguros

30 / 03 / 2017

“Com o Apple Watch sinto-me segura, pois posso facilmente realizar uma chamada de emergência caso me sinta ameaçada na rua”, diz uma mulher. Não existe mais o cavoucar na bolsa, pegando a coisa errada. Tem de ir a algum lugar? Não é necessário caminhar com os olhos fixos no celular. Esse relógio vibra em seu pulso, indicando a direção a tomar.

Além disso, ela escreve, ela pode chamar um táxi/UBER em um instante, caso duvide da sobriedade do condutor atual. Tudo isso é mais seguro que um porrete – que é ilegal em alguns estados, a propósito – e assegura uma vida muito mais tranquila.

Tirei duas conclusões de seu comentário. Primeiro, as mulheres têm um motivo especial para se preocupar com sua própria segurança, já que o governo pouco pode fazer para ajudá-las na prática. Segundo, a tecnologia oferece respostas à demanda por segurança, um dispositivo de cada vez.

As pessoas normalmente não percebem as muitas formas pelas quais os mercados e a inovação empreendedora estão, de fato, alcançando o que o governo fundamentalmente promete nos dar. Sistemas de alarme, dispositivos de monitoramento, segurança privada, aplicativos e conectividade total. Na margem, esses fazem mais que policiais, tribunais e prisões jamais poderiam no objetivo de tornar o mundo mais seguro.

E há a questão de que a violência em geral está caindo drasticamente. Homicídios, roubos, e furtos estão caindo. E essa é uma tendência global. Existem várias teorias para tal: mais prisões, população mais velha, polícia mais bem treinada, mais dados, mais armas, mais abortos, queda no uso de drogas, economias em crescimento, menos gangues, mais psiquiatras, gasolina sem chumbo e assim por diante. Estabelecer causa e efeito aqui é praticamente impossível.

Reflitamos sobre nossa própria vida. Muitas dessas teorias ignoram o incrivelmente óbvio. Nos últimos 20 anos, a tecnologia tornou mais difícil cometer crimes.

Hoje, caminhamos conectados ao mundo. Nossa localização pode ser sabida em um click. Temos alarmes em carros e casas, além de vigilância privada. Muitos complexos de apartamentos – não só para os ricos – são hipersensíveis no quesito segurança, tendo vários níveis de verificação. O apartamento normal da cidade seria um local perfeito para esconder o diamante Hope.

Smartphones aumentaram muito nossa segurança. Hoje, somos cinegrafistas ambulantes: quase nada pode acontecer sem que seja divulgado instantaneamente para o mundo. Todos os aspectos da vida, em todos os lugares, podem se tornar um filme com audiência mundial. Dispositivos de localização permitem que você localize alguém em minutos.

A The Economist relata:

Jan van Dijk, criminologista na Tilburg University na Holanda, destaca que, nas décadas de 1950 e 1960, milhões de pessoas no mundo ocidental adquiriram carros, televisões, vídeos-cassete, joias, pela primeira vez: coisas valiosas para os ladrões. Desde então, essas mesmas pessoas colocaram alarmes e cofres em suas casas. Entre 1995 e 2011, a proporção de famílias britânicas com alarmes em residências aumentou 29%. E coisas que outrora valiam a pena roubar das casas das pessoas ficaram menos valiosas. Não há lógica em uma ladrão entrar em uma residência para roubar um DVD de US$ 30.

Lojas investiram pesadamente em segurança, instalando portas que leem etiquetas com sensores ou tecnologia RFID, e contratando segurança privada.

Na verdade, a segurança privada está crescendo em muitos lugares. O número de guardas empregados na Europa aumentou em 90% ao longo da última década, e hoje supera o número de policiais. Os carros de segurança privada são hoje mais residentes e, frequentemente, seguidos pelos carros de polícia. Poucos estabelecimentos têm dinheiro parado na loja; e os que têm, têm pouco.

Não é só a tecnologia que dificulta o crime. Ela aumenta a probabilidade de você ser pego e, logo, exposto, sendo motivo de embaraço para sempre. Não há como fugir da mídia e dos repórteres independentes que varrem as mídias sociais. Proprietários de restaurantes usam as mídias sociais para alertar sobre artistas ruins, e pessoas que saem sem pagar.

De modo geral, as mídias sociais aumentaram dramaticamente o sentido de responsabilidade pessoal, e todos sabemos disso.

Nos filmes da década de 1950, criminosos simplesmente desapareciam. Hoje, óculos escuros não são suficientes para proteger sua identidade, quando é impossível comer, usar caixa eletrônico ou se hospedar em um hotel sem deixar rastros. Esqueça pegar um avião. Em instantes, quem for pego em um crime terá a mídia do mundo acessando Instagram e LinkedIn. Mesmo as antigas contas do MySpace não são esquecidas.

Todos esses avanços tecnológicos tornaram o crime mais difícil, mais arriscado e mais caro. Tudo isso é uma força mais poderosa que a polícia: é o livre mercado levando a segurança desejada dentro do que você pode pagar.

Sim, o Estado é responsável pelo julgamento (de alguns) criminosos, e ele mesmo emprega algumas dessas inovações. Mas considere a origem de tais tecnologias: são oriundas do livre espaço da criatividade empresarial, uma esfera de invenção que pode constantemente se adaptar às melhores práticas via processo de aprendizado social. E ainda devemos acreditar que o Estado é o melhor provedor de segurança? É claro que não.

A velha sabedoria contrastou a demanda por segurança versus a necessidade de liberdade. Temos que escolher, sempre disseram. Temos de sacrificar um pouco de liberdade para ter mais segurança. Ou, se quisermos liberdade, temos de viver com um tipo de medo generalizado: uma selva de guerra por todos os lados.

Essa é uma falsa escolha. O que estamos aprendendo é que liberdade e segurança andam de mãos dadas. É a liberdade que permite ao mercado funcionar em nosso benefício em todas as áreas da vida, tornando-nos, em outras coisas, mais seguros e mais móveis em uma sociedade cada vez menos violenta.

Segurança é uma demanda humana universal. E onde existe uma demanda, existe um mercado para atendê-la.

Artigo original: How markets and technology made us safer
Autor: Jeffrey A. Tucker