A importância do ensino de programação de computadores nas escolas

Na crença de que ensinar as crianças como programar computadores irá dar-lhes uma habilidade para a vida toda, educadores do mundo inteiro começaram a enxergar uma necessidade de ensinar essa nova geração a produzir tecnologia em vez de somente consumi-la. A tecnologia transformou a educação, mas enquanto os alunos aprendem a usá-la, eles raramente aprendem como ela funciona.

Em setembro de 2014, a Inglaterra se tornou o primeiro país do mundo a inserir a programação de computadores na grade curricular de todas as suas escolas e em todas as séries. De acordo com o planejamento curricular, as crianças começarão a ter contato com a programação desde quando iniciam a vida escolar aos 5 anos de idade até o término do ensino médio, por volta dos 17 anos.

Nos Estados Unidos, o líder do poder executivo também acredita na importância de aprender como a tecnologia funciona. De acordo com entrevista concedida a uma organização não governamental, Code.org, Barack Obama afirma: “nós estamos começando muito tarde quando se trata de nos certificarmos de que nossos jovens se familiarizem não apenas com o ‘como jogar videogames’ e sim com o ‘como criar um videogame’.”

Entretanto em 2013, as cidades de Chicago e Nova York, nos Estados Unidos, revelaram interesse em tornar a ciência da computação uma matéria central no ensino médio. No mesmo período os estados de Wisconsin e Alabama anunciaram que pretendem igualar os requisitos de graduação do curso de ciência da computação com os do curso de matemática.

A ONG Code.org que advoga a favor do ensino de programação às crianças, contribui com a causa oferecendo aulas de programação gratuitas e eventos relacionados ao tema. Uma de suas maiores contribuições é o evento “Hour of code”, que possibilitou o acesso ao ensino de programação de computadores para 15 milhões de estudantes.

Outra grande ação da Code.org está em seu site oficial, onde é possível assinar uma petição online para garantir que todas as escolas americanas ensinem seus alunos a programarem. Até o momento da publicação deste artigo 1,824,596 pessoas acham que é importante ter matérias relacionadas ao desenvolvimento de algoritmos e programação de computadores nas escolas americanas.

Em Nova York foi anunciado um investimento de 1 milhão de dólares para expandir o ensino de ciência da computação nas escolas de lá. Para o secretário da educação de Nova York, Dennis Walcott, “As crianças de hoje são tão adaptadas a tecnologia e eu acho que nós temos uma responsabilidade como educadores em garantir que nossos professores sejam treinados para adaptarem-se às necessidades dos alunos do século XXI.”

A parte mais importante do estudo da ciência da computação é a sua habilidade de encorajar e apoiar criatividade e fomentar a solução de problemas. Como Seymour Papert disse há mais de 30 anos, a ciência da computação dá às crianças a oportunidade de se envolverem com ideias poderosas. E o computador simplesmente é a melhor e mais acessível ferramenta de nossa era para esta finalidade.

Desafios de programação e atividades desconectadas (aprendizagem de conceitos de computação sem um computador) são a rampa de acesso para um mundo onde os alunos podem se tornar poderosos o suficiente para expressar suas imaginações. Criatividade, colaboração, persistência e abstração são todas as habilidades de pensamento que a programação de computadores constrói.

Jeanette Asa, vice-presidente do departamento de pesquisa da Microsoft e pioneira do pensamento computacional — a capacidade de subdividir um problema e expressar a solução de uma forma que um computador possa entender e avaliar — vê a tecnologia como uma habilidade tão importante quanto a leitura, escrita e aritmética, e que será adotada por todos até a metade do século XXI.

Este tipo de pensamento será incorporado não só pelas suas aplicações na ciência da computação, mas também porque as habilidades de abstração, de compartimentar e sintetizar problemas podem ser transferidas para qualquer área do conhecimento.

Para tornar a ciência da computação acessível a todos os alunos, é preciso começar na escola primária — onde as salas de aula estão igualmente divididas com alunos de todas as origens, e o intelecto é relativamente nivelado.

Os alunos aprendem mais rápido enquanto são crianças, antes dos estereótipos sugerirem que a programação é muito difícil, que seja apenas para nerds, ou apenas para os meninos. Além disso, a criação de aplicativos ou jogos é muito mais envolvente do que aritmética, mas todas essas atividades ensinam os mesmos conceitos. Estudantes do terceiro grau podem aprender sobre ângulos enquanto trabalham computação gráfica, e não apenas com questões de múltipla escolha.

Conforme é possível notar, observa-se a importância que as grandes potências mundiais têm dado ao assunto, enfaticamente na programação de computadores, uma vez que o ser humano está cercado de dispositivos programáveis. Isto pode servir como uma alerta para os governantes do Brasil a fim de debaterem a possibilidade de garantir aos brasileiros a mesma oportunidade de dominar as ferramentas e tecnologias que estão revolucionando a vida do ser humano.

A habilidade de programar um computador está se tornando muito importante e rapidamente se transformando em uma competência necessária para quase todos os tipos de trabalhos do século XXI.

É realmente necessário aprender a programar computadores para fazer parte da sociedade do século XXI? Ainda não! Um indivíduo pode escolher viver na era analógica o quanto quiser desde que ainda consiga por comida na mesa. Porém, a importância de ser tecnologicamente alfabetizado na cultura contemporânea, vai muito além de escolhas pessoais. A sociedade está imersa nos efeitos da programação em tudo que a cerca.

A programação é, definitivamente, importante. Centenas de milhares de universidades, professores e dezenas e dezenas de estudantes e profissionais da educação, aprendendo e praticando são testemunhos suficientes a respeito disso.