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Banco 4.0: Brasil se prepara para receber o Open Banking

Com a transformação digital, a história dos bancos alcançou um novo capítulo, uma nova fase onde a tecnologia provoca a disrupção do setor. E toda essa mudança abriu espaço para o conceito do Open Banking. O novo Banco 4.0 vem aí, prometendo a diversificação do setor.

O Open Banking visa unir players do setor financeiro para gerar mais agilidade e uniformizar as atividades bancárias, voltando às aplicações que as empresas de tecnologia desenvolvem para o setor financeiro. A ideia é projetar e incentivar a criação de APIs e aplicativos que permitam acessar dados bancários de forma digital.

Nesse sentido, a China é um dos países mais avançados, graças à sua alta tecnologia. O país trilha um caminho acelerado rumo à economia sem moeda física, contando com o apoio das empresas de tecnologia. Só as ferramentas WeChat da Tencent e AliPay da Ant Financial são responsáveis por um expressivo índice de 92% dos pagamentos chineses.

Mas qual é o real impacto da transformação digital no setor financeiro? Como será a mudança para o Banco 4.0? E o que esperar da tendência em pagamentos digitais? É sobre isso que vamos falar neste artigo!

Impacto da transformação digital no mercado financeiro

Mesmo com o advento da Era Digital, as instituições financeiras se mantiveram resistentes às mudanças e benefícios que a tecnologia pode trazer. Isso até a página dois, quando começaram a surgir as fintechs e startups voltadas para o setor financeiro.

Um grande impacto da transformação digital para o setor foi esse aumento de competitividade. Afinal, se já usamos a internet para praticamente tudo, por que não digitalizar também nossas finanças?

Para os bancos e instituições tradicionais, não era tão simples assim. O mecanismo financeiro é muito antigo e aplicar inovações como um sistema cognitivo para mudar um modelo consolidado seria muito complexo e custoso.

Desde a chegada do e-commerce, essa resistência à mudança já era percebida. Havia uma movimentação que buscava referendar a necessidade de serviços físicos. Aqui, víamos desde operações somente executadas nas agências  até a exigência de uma assinatura em papel para oficializar as contratações de serviços e produtos.

Porém, com a evolução acelerada de outros setores, o modelo antiquado dos bancos e instituições financeiras se tornou cada vez mais evidente. Eles teriam que aceitar a chegada da transformação digital por bem ou por mal.

E eis que vieram novos players com serviços inovadores que conquistaram o público, como a abertura de contas digitais. Aos bancos, só restava se inserirem ao movimento que as fintechs iniciaram no setor.

A chegada das fintechs e o desafio de inovação

As fintechs surgiram justamente para aproveitar um nicho que falhava em encontrar suas necessidades atendidas, oferecendo soluções que tornam pagamentos mais eficientes e serviços mais acessíveis. Elas conquistaram um público que cresceu exponencialmente e abriu os olhos dos bancos tradicionais. Faltava alguém que pudesse levar uma experiência de serviços financeiros com mais mobilidade.

Essa competitividade despertou a necessidade de os bancos se reinventarem e acompanharem as transformações. Hoje, essas instituições já se esforçam para aderir às plataformas digitais, buscando soluções disruptivas.

Com a presença de tecnologias como inteligência artificial, assistentes de voz e chatbots, há um vasto espaço para inovar, criando interações diferenciadas para os usuários. Perguntar qual é o saldo bancário e obter a resposta pela celular parece muito simples hoje, mas isso é graças às influências da transformação digital.

E é esse cenário que deu espaço ao Banco 4.0. Há uma busca por mais engajamento com o público a partir de APIs específicas, visando ao aumento de vendas de produtos e serviços e destaque no mercado.

A palavra-chave é inclusão financeira. É importante pensar em como incluir no sistema quem não tem acesso a uma conta bancária. E hoje já não precisamos sequer de uma agência física para isso. O uso de smartphones se popularizou bastante, sendo a oportunidade ideal para expandir o alcance dos serviços financeiros.

Como funciona a mudança para o Banco 4.0?

A chegada do Open Banking vem com uma regulamentação específica a ser seguida. No Brasil, as diretrizes foram apresentadas pelo Banco Central no dia 24 de abril de 2019. As normas foram criadas em acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados, respeitando o uso consciente das informações bancárias dos consumidores.

É o cliente que determina quando seus dados poderão ser usados. Isso inclui desde os dados pessoais de cadastro a informações referentes ao consumo de produtos e serviços, transações realizadas e serviços de pagamentos. A ideia é que o consentimento envolva um processo com experiência do usuário simplificada, eficiente e segura. Nesses moldes, o Open Banking no Brasil deve ser iniciado até o final de 2020.

Chegar a uma regulamentação ideal é um dos grandes desafios do Banco 4.0. Afinal, deve-se determinar especificamente quais dados podem ser compartilhados, permitindo que as empresas de tecnologia possam continuar a inovar.

Os desafios e expectativas para as mudanças do modelo financeiro

Se a regulamentação é pauta para a chegada do Open Banking, os desafios e expectativas também giram em torno da padronização dos sistemas e da segurança para os consumidores.

No primeiro aspecto, temos um ponto importante: a maioria dos sistemas bancários brasileiros usa um padrão diferente de API. Isso impede que muitas plataformas financeiras possam se conectar com todas as instituições ao mesmo tempo.

Assim, o desafio é conseguir integrar todos os bancos em uma única plataforma. A padronização será uma missão trabalhosa, mas, com tempo, o setor financeiro conseguirá superar essa barreira.

Já a segurança de dados sempre foi um fator de extrema importância  para o setor bancário. Qualquer sistema que ofereça serviços financeiros precisa garantir a proteção dos dados do consumidor, evitando exposição de informações da conta. Por isso, faz parte da missão dos bancos e fintechs prepararem seus sistemas para evitar riscos de ataques e vazamentos dos dados.

Segundo a futurista Samantha Radocchia, cofundadora e diretora da startup Chronicled, especializada em soluções de Blockchain para cadeias logísticas, “em um mundo voltado a grandes volumes de dados, dois fatores serão essenciais para conquistar e garantir a confiança dos usuários: segurança e privacidade”.

As perspectivas para o futuro do banco aberto é que o modelo possa guiar a sociedade para um contexto onde o cartão físico ou mesmo as agências já não sejam mais necessários. Até a aprovação de crédito deve ser acelerada, ao ponto de ser realizada instantaneamente.

Países como a China já se encontram próximos desse contexto. Se hoje as pessoas buscam cada vez mais soluções digitais, é bem provável que um dia, de fato, a transformação digital torne o sistema bancário totalmente on-line.

Dessa maneira, as instituições que demorarem muito para se adequar às novas demandas muito provavelmente sumirão do mercado. É só olhar para empresas tradicionais que perderam o ritmo da inovação e fecharam as portas — Blockbuster e Kodak são exemplos clássicos — para entender que essas não são especulações, mas previsões embasadas em casos reais.

Em suma, as instituições financeiras precisam acelerar o ritmo de inovação e acompanhar as mudanças necessárias para entrarem de cabeça no Banco 4.0. Quer entender mais sobre o assunto? Então acompanhe o nosso blog com as novidades do Open Banking! 

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Bruno Zago

Bruno Zago

Diretor Comercial e de Marketing da Cedro Technologies.