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2020 – o ano das finanças sustentáveis?

Já houve uma época em que os investidores só se interessavam por uma coisa: a busca do lucro ou bons retornos sobre investimentos. No passado, muitos investidores ganharam dinheiro de forma inescrupulosa. Investir, ainda que indiretamente, em empresas ou ações ligadas à indústria armamentística, farmacêutica ou de outras operações questionáveis parecia apenas outra forma de ganhar dinheiro. No entanto, à medida que o mundo desperta para as opções de investimentos ambientais e éticos, crescem as opções de finanças éticas ou, mais popularmente, “sustentáveis”.

Embora não seja prudente tentar comparar os retornos das “velhas indústrias” como tabaco, álcool e armas, com os novos concorrentes verdes, muitos especialistas sugerem que o investimento ético está prestes a decolar. Diz-se que os investidores chegaram à conclusão de que, se forem bons para o planeta e as pessoas, também se beneficiarão.

Existem evidências de que fundos que observam em suas estratégias padrões ambientais, sociais e de governança tendem a superar em muito aqueles que não o fazem.

O ano de 2020 pode ser o ano em que esse tipo de pensamento levantará voo? Só o tempo dirá, mas o que está acontecendo no momento?

O que são finanças sustentáveis?

Segundo o Global Sustainable Investment Alliance (GSIA), cerca de US$ 23 trilhões, ou 26% de todos os ativos sob gestão em 2016, estavam em “investimentos socialmente responsáveis” que levam em conta questões ambientais, sociais e de governança (ESG, sigla em inglês).

A definição atual de finanças sustentáveis difere de pessoa para pessoa. Para alguns, resume-se ao que a maioria chamaria de investimentos rotineiros ou “normais”. Algumas empresas e investimentos que são segmentados por uma “triagem negativa” do GSIA, isto é, são considerados antiéticos ou não confiáveis. Outras, é claro, geram efetivamente uma mudança positiva no mundo. Essas são chamadas de “investimentos de impacto”, pois seus efeitos podem ser quantificado e medido.

Tudo isso colabora para a estratégia de longo prazo que responde às expectativas que a indústria global tem acerca do impacto real desse tipo de finanças.

Um exemplo imediato disso poderia ser a redução na quantidade de dióxido de carbono emitido por uma planta fabril, ou o número de alunos educados por escolas subfinanciadas ou afetadas pela pobreza num país em desenvolvimento como resultado de um projeto particular. Embora bem diferente das formas tradicionais de medição do sucesso de um investimento, conclui-se assim que o retorno financeiro não precisa ser sacrificado em prol de metas não financeiras.

Organizações como a WWF estão trabalhando em formas para encorajar investimentos mais éticos, levando as finanças sustentáveis, por fim, a serem sustentáveis.

Por exemplo, a Agência Internacional de Energia estima que US$ 75 trilhões em investimentos direcionados principalmente a tecnologias renováveis e de baixa emissão de carbono, além de medidas de eficiência energética, sejam necessários para impedir que o aumento da temperatura global ultrapasse os 2ºC, evitando, assim, os efeitos mais nefastos do aquecimento global.

A escala do capital exigido para essa mudança vai muito além do escopo das finanças públicas, significando que as finanças privadas serão essenciais para a transição para uma economia mais limpa.

Que opções existem?

Antes de qualquer coisa, é importante notar que as finanças sustentáveis podem aumentar o risco de investimento e reduzir seu retorno potencial. Ao limitar investimentos a companhias eticamente focadas, investidores limitam o número de opções disponíveis.

Dito isto, desde a introdução dos Princípios para investimento responsável das Nações Unidas em 2006, investidores passaram a ver fundos como Vanguard Group e Fidelity Investments oferecendo cada vez mais investimentos éticos; uma tendência que não mostra sinais de desaceleração. Guido Fürer, CIO da Swiss Re, também disse que está “se saindo bem”, e gera “resultados financeiros”.

Investment Managers e PortfolioMetrix também oferecem portfólios éticos a seus clientes. Isso significa que os investidores podem manter o mesmo nível de risco de seus portfólios convencionais, só que investindo eticamente.

Alguns se equivocam, pensando que essa é uma opção tudo ou nada. Transferir todo seu portfólio para investimentos éticos pode ser arriscado, mas você poderia, por exemplo, mover seus investimentos gerais para fundos éticos, enquanto gerencia seus fundos de pensão de forma mais tradicional. Contudo, recomendamos muita reflexão antes de investir nesses novos instrumentos.

Em termos de onde investir, as opções melhoram a cada dia. À medida que o mundo se torna mais socialmente consciente, e os movimentos verdes como a Extinction Rebellion e o trabalho de ativistas como Greta Thunberg são reconhecidos, mais os investidores se preocupam com o destino de seu capital.

As finanças sustentáveis tomam muitas formas, mas algumas opções tendem a decolar em 2020. Confira as nossas apostas:

Negócios sociais: embora isso não seja nada novo, esse tipo de finanças sustentáveis foca em iniciativas lucrativas, mas também se preocupa com o social. Os lucros são investidos de volta no negócio a fim de combater o preconceito, proteger o meio ambiente ou promover desenvolvimento e solidariedade. Podem tomar diversas formas, mas citamos as que têm maior potencial de crescimento em 2020:

  • Títulos de impacto social: títulos cuja remuneração é paga assim que os objetivos sociais de um projeto são atingidos.
  • Microfinanças: solução que disponibiliza crédito para populações mais pobres.
  • Investimento de impacto: investimento em empresas com forte impacto social ou ambiental.

Finanças verdes: às vezes consideradas um tipo de negócio social, reúnem as transações comerciais que favorecem a mudança de perfil energético e a luta contra o aquecimento global. Um fenômeno relativamente novo, espera-se que seu valor de mercado exceda os US$ 100 bilhões por ano já em 2021. Uma das principais ferramentas são os títulos verdes, cujo objetivo é financiar iniciativas ecológicas. Descarbonizar portfólios dos investidores ao financiar empresas que limitam sua pegada ecológica também está se provando popular dentro dessa esfera.

Finanças sociais: essa opção já teve muitos ativos investidos em produtos com grande impacto social. Representando US$ 10 bilhões na França em 2016, o setor oferecer financiamento para projetos que não se encaixam nos modelos clássicos de financiamento, tais como negócios ligados ao emprego, à sociedade e à moradia, à solidariedade internacional e ao meio ambiente. Na França, a organização especializada Finansol certifica produtos de finanças sociais e monitora tendências em finanças sociais.

Autor: Charlie Reading

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Equipe Cedro

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