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A vida conectada da Internet das Coisas

Imagine um mundo em que o seu carro é capaz de lhe informar quanto ainda resta de gasolina no tanque, se existe algum problema no motor ou se é só necessário trocar o óleo. Devido ao avanço tecnológico, você não precisa mais imaginar!

Agora, imagine que tudo possa ser física ou eletronicamente medido, e que todos os dispositivos sejam interconectados. Seja bem-vindo ao mundo atual! A “internet das coisas” (IoT, na sigla em inglês) permite comunicação básica entre dispositivos ou, pelo menos, um dispositivo de medição de objetos físicos que reduz ou elimina a necessidade de verificação constante, além de assegurar que uma série de ações sejam tomadas automaticamente, com base em trocas de informação.

Pense nela como uma máquina de Rube Goldberg do mundo sem fio, só que realizando coisas importantes (ou podendo realizar coisas importantes). A comunicação é essencial em todos os empreendimentos, e assegurar que ela aconteça sem percalços e de forma precisa aumenta drasticamente a probabilidade de sucesso. A IoT permite a coleta precisa de dados e a transferência automática daquela informação para outro dispositivo e/ou usuário.

Você já está familiarizado com a IoT e nem sabe. “Smartphones” (telefones inteligentes) e outros formam a primeira onda dessa geração de dispositivos conectados.

O segundo passo, muito semelhante ao primeiro, é tornar a vida mais simples – reduzir o user debt (dívida de experiência do usuário). Essa dívida é o tempo e esforço que o cliente investe de modo a desfrutar o produto. Por exemplo, ligar para um táxi costumava envolver procurar o número da companhia de táxi em um guia telefônico, ligar para ela, dar o endereço ao motorista, separar o valor da corrida e decidir quanto dar de gorjeta. Hoje, tira-se o celular do bolso, dá-se dois toques e pronto. O próximo passo é não ter mais essa interação manual.

A esperança nesse tipo de atividade sem toque tem impacto no desenvolvimento da própria tecnologia. Somando-se o forte desejo de propor soluções rápidas com a utilização de modelos, ideias e softwares open source, houve o aumento no número de produtores, assim como na eficiência. O foco em produtos patenteáveis parece ter uma correlação inversa à velocidade de crescimento da indústria. E como o produtor nem sempre sabe o sistema do cliente, ele tem de pensar independente de plataformas, isto é, criar um sistema operacional compatível com todos os sistemas operacionais. Isso reforça ainda mais a ideia de cooperação e integração ponto a ponto, em vez da construção de uma unidade única que controla tudo.

Mas, o que isso significa para você, cidadão comum, que só está tentando acompanhar os avanços tecnológicos? Como isso impacta a sua vida? Como uma única pessoa ou empresa, é difícil começar a produção de dispositivos IoT, mesmo com todo o material open source. Contudo, é muito fácil para mentes curiosas propor sistemas “faça-você-mesmo” para melhorar sua própria vida. Todas as pessoas têm coisas que têm pavor de fazer ou têm dificuldade em se lembrar de fazer. A empresa Arduino criou um kit básico que lhe permite analisar suas necessidades e montar um ambiente conectado que facilita a sua vida.

Produtos ruins inundaram o mercado de IoT e desviaram a atenção tanto de produtores como de consumidores do propósito original de tornar a vida mais fácil em prol de “olha o que eu consigo fazer”. Pessoas compram dispositivos para executar funções específicas. Os grandes benefícios do software são baixo custo e fácil atualização. O problema é que o mercado de IoT se comporta erroneamente como uma empresa de software. Produtores trataram dispositivos como software e focaram em “embarcar rápido”. Há um custo envolvido para o consumidor quando têm de devolver seu bule de chá maneiro que envia um emoji com formato de xícara de chá quando a água está fervida, assim como o fabricante pode testar adequadamente o produto mesmo que haja só um pequeno erro no código.

A conectividade tornou-se o objetivo e não o meio. Esses produtos IoT estavam só mostrando o que eram capazes de fazer em vez de, com efeito, resolver problemas. O mercado para novidades IoT é incrivelmente pequeno, especialmente no contexto global, mas a motivação original de tornar atividades tediosas fáceis ainda está presente e pode atender um grande grupo de pessoas. Talvez o bule moderno tenha sido um sinal de imaturidade dessa linha de pensamento, mas agora é hora de aprender dos erros e parar com floreados supérfluos, focando nas necessidades* do consumidor. (*Leia-se: produto que resolve um problema).

Uma dessas necessidades é um sistema de automação doméstica. O Echo da Amazon oferece controle de voz para todos os dispositivos conectados da casa. Chega em casa cheia de sacolas? “Jeeves, ligue a luz” (estou certo de que não é assim que se ativa o sistema, mas sempre quis ter um mordomo inglês e é bem mais barato). Em vez de sentar à mesa à procura de boletins meteorológicos e resultados de jogos, você pode fazer coisas mais produtivas enquanto Jeeves procura e lê para você tudo o que você deseja saber.

Google Home foi lançado há poucos dias e a Apple está quase finalizando sua própria versão rival, e ela não pretende parar na automação doméstica. Isso tem diversas implicações:

  1. Competição no mercado – não importa se você é fã da Apple ou não, assim que entram no mercado, há uma expansão.
  2. Oportunidades no mercado laboral: similar ao efeito da linha de produção, quando as empresas podem implementar dispositivos inteligentes que medem o status atual, comunicam a informação e disparam a próxima tarefa em um processo, há uma confiança reduzida no envolvimento humano com tal sistema. Com a queda na demanda por trabalho repetitivo, a demanda por trabalho aumenta em posições focadas na criatividade. Ser capaz de se inserir logo nesse mercado o ajudará a evitar a loucura do momento em que as empresas estiverem implorando por mão de obra qualificada.
  3. Mais produtores significam mais produtos, e mais produtos significam mais problemas resolvidos – essa mudança gera redução no preço dos produtos que são vendidos para você, consumidor.

O futuro da IoT não é focado em você e não está preocupado se a sua torrada está no ponto, ou se sua geladeira lhe diz quando falta leite, esse futuro pode resolver problemas sistêmicos de parasitismo, e reduzir ou eliminar barreiras em áreas como saúde, e mesmo antecipar problemas nelas.

Cidades digitais serão capazes de aumentar a eficiência energética e reduzir a dependência de monitoramento manual de pequenas oscilações. O desenvolvimento de “edifícios verdes” exigirá, ou pelo menos será muito auxiliado, pelo monitoramento digital e o ajuste de níveis de água e outros nutrientes necessários para manter o sistema. Outros sistemas integrados similares, como painéis solares construídos na estrada também se beneficiarão da conexão com a IoT.

Quando somado à estrutura de machine learning (inteligência artificial), a IoT tem potencial praticamente ilimitado, mas não com níveis skynet de potencial. Uma dada unidade se comunicará com outras unidades similares sobre falhas, permitindo que as unidades funcionais as prevejam e tomem precauções antes que a pane ocorra. A saúde também se beneficia desses avanços ao permitir que o médico (ou a inteligência artificial) receba informações exatas do paciente e o monitore após o diagnóstico.

Infelizmente, nem tudo é perfeito. A segurança é uma séria preocupação, e sempre será, quando falamos de tecnologia digital. Viver uma vida mais conectada lhe expõe a maior risco de espionagem govermental, ataque de hackers e, o pior de tudo, “publicidade direcionada” (só porque cliquei acidentalmente em um anúncio da Nike não significa que estou desesperado para comprar um par de tênis e que toda minha experiência de internet está focada nesse objetivo).

A questão será medir risco e recompensa pessoais dessas preocupações contra os benefícios da interconexão. É por isso, também, que dispositivos fúteis precisam e, logo, desaparecerão. Simplificar nossas vidas parece uma busca valiosa, mas se a simplificarmos demais, podemos nos tornar dependentes do sistema que criamos, esquecendo-nos de como executar tarefas simples. Avanços tecnológicos nos trazem conforto, mas nós – você e eu – temos de estar vigilantes para não nos tornar complacentes.

Tecnologia não é boa nem ruim, mas nos permite exteriorizar o melhor ou o pior em cada um de nós. Então, não culpe a tecnologia por tornar as pessoas preguiçosas: cada indivíduo deve assumir a responsabilidade por suas próprias ações.

Artigo original: “The Connected Life with the Internet of Things”
Autoria: Hoss Layne – Hoss é o conselheiro de assuntos jurídicos da Exosphere Academy. Ele é responsável pelos cursos imersivos em AI, Blockchain, Biohacking & mais. Para mais informações, acesse: http://exosphe.re/

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Equipe Cedro

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