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Globalização digital: a nova era dos fluxos globais

A sabedoria popular diz que a globalização estagnou. Mas, embora o fluxo de comércio internacional tenha se mantido estável, e o fluxo de capital internacional tenha caído muito desde 2008, a globalização segue uma tendência oposta. Em vez disso, ela está entrando em uma nova fase definida pelo aumento do fluxo de dados e informação.

Novamente, o fluxo digital – que era praticamente inexistente 15 anos atrás – hoje, exerce um impacto mais amplo no crescimento do PIB que séculos de comércio de bens, de acordo com um novo relatório da McKinsey Global Institute (MGI), Digital globalization: The new era of global flows (Globalização digital: a nova era dos fluxos globais). E, apesar de tal mudança permitir às empresas chegar aos mercados globais com modelos de negócios menos intensivos em capital, ela traz em seu encalço novos riscos e desafios políticos.

O mundo está mais conectado do que nunca, mas a natureza dessa conexão mudou de forma fundamental. O volume de banda larga transnacional em uso cresceu 45x desde 2005. Projeta-se que venha a aumentar 9x mais no decorrer dos próximos cinco anos à medida que crescem os fluxos de informação, pesquisa, comunicação, transação e tráfego internos das empresas.

Além de transmitir fluxos valiosos de informação e de ideias em si, os fluxos de dados permitem o movimento de bens, serviços, finanças e pessoas. Virtualmente todo o tipo de transação transnacional tem um componente digital.

Antigamente, o comércio confinava-se às economias avançadas e suas grandes companhias multinacionais. Hoje, uma forma mais digital de globalização permite a inclusão, e participação ativa das economias em desenvolvimento, das pequenas empresas e startups, e de bilhões de indivíduos. Dezenas de milhões de pequenas e médias empresas globalmente se tornaram exportadoras via parcerias com sites de comércio eletrônico como Alibaba, Amazon, eBay, Flipkart e Rakuten. Aproximadamente 12% do comércio global de bens é conduzido via sites internacionais de e-commerce. Mesmo pequenas empresas podem nascer “globais”: 86% das startups de tecnologia entrevistadas pelo MGI reportam algum tipo de atividade transnacional. Hoje, mesmo as menores empresas podem competir com as maiores multinacionais.

Indivíduos estão usando plataformas digitais para aprender, encontrar trabalho, mostrar seu talento e construir redes pessoais. Cerca de 900 milhões de pessoas têm conexões internacionais em redes sociais, e 360 milhões tomam parte em e-commerce transnacional. Plataformas digitais de emprego tradicional e freelas estão criando um mercado global de trabalho.

Nessa crescente era de globalização, grandes empresas podem administrar suas operações internacionais de forma mais limpa e eficiente. Pelo uso de plataformas e ferramentas digitais, elas podem vender em mercados emergentes enquanto mantêm equipes virtuais conectadas em tempo real. Esse é o momento de as empresas repensarem suas estruturas, produtos e ativos organizacionais, bem como o perfil de sua concorrência.

Fluxos globais de todos os tipos fomentam o aumentar a produtividade, e os fluxos de dados amplificam esse efeito ao ampliar a participação geral na criação de mercados mais eficientes. A análise da MGI conclui que, na última década, todos esses tipos de fluxo juntos aumentaram o PIB do mundo em 10,1% em comparação ao cenário sem fluxos transnacionais. Esse valor representou US$ 7,8 trilhões de dólares só em 2014, sendo os fluxos de dados US$ 2,8 trilhões desse impacto.

Fluxos de entrada e saída são igualmente importantes para o crescimento, já que expõem economias a ideias, pesquisas, tecnologias, talentos e melhores práticas do mundo inteiro.

Embora exista valores substanciais em jogo, nem todos os países estão aproveitando o seu potencial. O último Índice de Conectividade da MGI – que classifica 139 países com base no fluxo interno e externo de bens, serviços, finanças, dados e pessoas – encontra uma grande diferença entre um grupo de países na liderança, e o resto do mundo. Singapura aparece no topo da classificação, seguida da Holanda, dos Estados Unidos e da Alemanha. A China está mais conectada, chegando à sétima posição, mas as economias avançadas em geral permanecem mais conectadas que países subdesenvolvidos. Na verdade, cada tipo de fluxo está concentrado em um pequeno grupo de países altamente conectados.

Países atrasados estão diminuindo a diferença para com os líderes a passos de tartaruga, e sua participação limitada tem tido um custo real para a economia mundial. Se o resto do mundo tivesse aumentado sua participação nos fluxos globais à mesma taxa do primeiro quartil ao longo da década passada, o PIB do mundo seria de US$ 10 trilhões, ou 13% maior que hoje. Mesmo os países cuja participação têm sido lenta, as oportunidades de crescimento são muito significativas para serem ignoradas.

Artigo original: Digital globalization: The new era of global flows
Autores: James Manyika, Susan Lund, Jacques Bughin, Jonathan Woetzel, Kalin Stamenov, and Dhruv Dhingra

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Equipe Cedro

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