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Fintechs, Open Banking e o impacto da tecnologia nos serviços financeiros

A inovação, a tecnologia bem aplicada e a transformação são como uma roda que nunca para seu movimento. Pelo contrário: a cada volta, ela gira mais rápido.

A tecnologia desenhou um papel importante no mercado financeiro no sentido de ajudar a processar mais negócios, a dar transparência, acelerar o acesso de novos clientes ao mercado, avaliar o risco em tempo real e a reduzir drasticamente  os custos por transação realizada. Primeiro, a tecnologia da informação ajudou os bancos e as instituições financeiras a acelerarem o processamento dos negócios e a agilizarem suas áreas de back office. Depois, os bancos passaram a utilizar a tecnologia para disponibilizar seus serviços na internet com a criação do Internet Banking e Mobile Banking.

As possibilidades, contudo, não pararam por aí. O uso da tecnologia nos serviços financeiros tem transformado a indústria na mesma proporção que a telefonia móvel nos negócios no fim da década de 90. Após contribuir enormemente com as instituições financeiras, a tecnologia agora passou a gerar um impacto mais direto e positivo na sociedade, permitindo o surgimento de serviços inovadores e com custos mais acessíveis.

Como isto começou?

Em 2004, o PayPal resolveu liberar sua API (um conjunto de interfaces e protocolos) para permitir que outros serviços, empresas e sistemas pudessem se conectar. Este processo levou ao surgimento do conceito de Open Banking. O Open Banking nada mais é do que uma instituição financeira liberar alguma interface ou API para que outros desenvolvedores, parceiros de serviços, empresas de softwares e Fintechs (Financial Technology) possam criar seus próprios sistemas e se conectarem. Com isto, centenas de novas startups e aplicativos surgiram ao redor do mundo, criando inovação e mercados disruptivos.

Um bom exemplo brasileiro é a startup Guia Bolso, um aplicativo de controle financeiro 100% gratuito. O usuário se cadastra, adiciona suas contas e senhas. Pronto – o app passa a alimentar em uma planilha suas receitas, gastos e despesas automaticamente. Assim, o usuário não precisa mais acessar diariamente o mobile banking para controlar suas transações. Na linha de investimentos, temos a Toro Investimentos, que desenvolveu uma plataforma de investimentos e análise. Quando as operações são enviadas, elas são processadas por meio de uma interface da corretora XP Investimentos. A Cedro também oferece uma plataforma de investimentos para investidores mais avançados: Fast Trade, que permite enviar ofertas de compra e venda de ações e futuros para diversas corretoras brasileiras. Tanto Toro quanto Cedro não são corretoras, mas se utilizam de interfaces (Open Banking) para envio de operações.

Os novos mercados disruptivos entregam uma experiência melhor aos usuários, mas também trazem, geralmente, uma redução drástica nos custos. A sociedade tem acesso a melhores serviços, mais liberdade para escolher seus aplicativos financeiros e custos menores. E o que vem pela frente? Para 2016 e 2017, podemos nos preparar para muitas transformações positivas para os usuários desse tipo de serviços.

Fintechs serão cada vez mais expoentes

Fintech é o nome dado às startups de serviços financeiros que utilizam a tecnologia da informação como base. Essas empresas chegam para retirar a exclusividade dos bancos em diversos setores, mas também para criar novos produtos. Elas oferecem serviços com estrutura bem mais enxuta, reduzindo custos para os clientes e geralmente focando em uma experiência melhor do usuário. As Fintechs podem funcionar totalmente independentes de algum banco ou podem consumir serviços oferecidos pelas interfaces de Open Banking de instituições já consolidadas.

Outro forte exemplo no Brasil é a Nubank, uma startup que oferece cartão de crédito, sem anuidade e com taxas abaixo da média. Temos também a SmarttBot,  que simplifica os investimentos em mercado de capitais por meio de robôs. Os clientes podem operar com robôs já existentes ou criar suas próprias estratégias.

Instituições financeiras e empresas de tecnologia

De olho na tendência de crescimento das Fintechs, soluções surgem para unir os bancos e serviços criados por terceiros. Os bancos passarão cada vez mais a buscar parcerias com empresas de tecnologia para desenvolvimento de soluções inovadoras e aplicativos focados em resolver algum problema real da sociedade. Alguns bancos têm criado aceleradoras de startups e outros fazendo rodada com provedores de tecnologia na busca e fomento para desenvolver novos aplicativos e soluções.

Apps continuarão em destaque no mercado financeiro

O surgimento de aplicativos continuará sendo uma tendência, principalmente no sentido de “desbancarizar” operações. As instituições financeiras estão focadas em abrir suas APIs (interfaces) para permitir que aplicativos próprios ou de terceiros possam se conectar e prover alguma nova experiência aos seus usuários. Acredita-se que até 2017, mais de 60% das instituições já estarão abertas para receber novos serviços e Fintechs.

Se bancos foram beneficiados nos últimos 20 anos com o uso massivo da tecnologia da informação, agora usuários sentirão muito destes e outros benefícios que a tecnologia tem proporcionado: melhores serviços, liberdade de escolha e redução de custos de operações financeiros.

Inovar é criar um futuro diferente, mas pra isso é preciso estar atento às tendências de mercado. Veja outros impactos de TI no mercado financeiro e saiba um pouco mais sobre o que a tecnologia pode fazer.

Artigo publicado originalmente no Libertarianismo.


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Leonardo Reis

Leonardo Reis

Leonardo Reis é CEO da Cedro Technologies e entusiasta de inovações tecnológicas que revolucionam a sociedade, o mundo e o modo como vivemos.