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Fintech como opção de serviços bancários para bilhões de pessoas

Muito se fala da nova geração de empresas de tecnologia financeira (Fintech) que estão substituindo os bancos tradicionais nos países desenvolvidos. Essas startups atacam todos os serviços inseridos na proposta de valor dos bancos (administração de portfólio, hipotecas, empréstimos, financiamentos, serviços de pagamento P2P) e, nos últimos seis anos, têm sido o principal destino de capital e talentos; o investimento nelas, por exemplo, cresceu oito vezes desde 2011.

Enquanto seus produtos inovadores têm sido uma bênção a clientes de países desenvolvidos, elas não ficaram para trás nos países em desenvolvimento. A eficiência e a segurança de benefícios de seu modelo de negócio atenderam mais de dois bilhões de clientes que não dispunham de serviços bancários formais.

Contudo, há sinais de mudança. Encorajadas pelo aumento dramático no número de pessoas com smartphones nos países subdesenvolvidos, novas fintechs estão tentando inovar o status quo financeiro desses mercados: agiotas e serviços informais de remessa têm sido a única opção de grande parte da população.

Nossa iniciativa, o Digital Financial Services Lab, está buscando ser o catalizador dessa transformação. Para tal fim, está trabalhando com empreendedores de forma a introduzir soluções inovadoras nos países subdesenvolvidos. Muitas das empresas mencionadas neste artigo fazem parte de nosso laboratório.

Para ter sucesso nesses mercados, essas startups devem superar três desafios: 1) falta de infraestrutura na nuvem, 2) usuários menos “digitais” que os dos países desenvolvidos, e 3) usuários que vivem vidas economicamente caóticas com base, principalmente, no setor informal.

Falta de infraestrutura e serviços na nuvem

Em muitos países subdesenvolvidos, a falta de infraestrutura disponível constitui-se uma oportunidade e um desafio. Tal fato levou algumas fintechs a tentar preencher essa lacuna via criação de “regtechs” e “Infraestrutura como serviço (IaaS)”.

Uma das empresas a fazê-lo é a Trulioo, que disponibiliza bancos de dados governamentais sobre pessoas ao redor do mundo por meio de uma simples interface online. Outra é a Flutterware, que cria interfaces de pagamento e serviços para fintechs em operação na Nigéria.

Usuários que não têm uma pegada digital

Embora algumas pessoas nos países subdesenvolvidos tenham uma pegada digital complexa, para muitas, a única forma de acesso ao mundo digital se dá com smartphones com acesso limitado à internet ou em LAN houses; e muitas nem mesmo usam produtos digitais. Essa limitada ou mesmo inexistente pegada digital significa que os algoritmos sofisticados que algumas fintechs usam para gerar escores de risco ou ofertas personalizadas nos países desenvolvidos não são úteis nesse mercado.

Para ter sucesso nesse ambiente, empresas locais estão propondo modelos que exploram e criam novas fontes de informação sobre os usuários. Como fazem? Oferecendo novas ferramentas que os encorajam a expandir sua vida digital.

Um exemplo na Índia é a SERV´D, que está desenvolvendo um aplicativo que ajuda famílias e os informais que empregam (por exemplo, babás, motoristas, cozinheiras) a criar contratos de trabalho mais simples, com pagamento online. Os dados gerados como subproduto registrarão os salários e outros pagamentos de mais de 400 milhões de trabalhadores informais que anteriormente não tinham como comprovar sua renda para obter de empréstimos e outros benefícios.

Outra possibilidade advém da informação que a UBER e outras empresas do setor estão coletando sobre a renda dos seus motoristas. A CreditFix está tirando proveito de tais dados para conceder empréstimos aos motoristas paquistaneses, permitindo-lhes comprar seu próprio carro, ao invés de trabalhar como empregados. O Sidian Bank no Quênia tem um programa similar.

Outro exemplo é a Cowlar, uma empresa paquistanesa que criou um dispositivo portátil para vacas. Ele coleta dados relativos à temperatura, localização e atividade do animal, transformando-o em informação em tempo real para agricultores, o que lhes propícia gerir melhor seu rebanho. A Cowlar já estuda como transformar os dados da “internet das vacas” em produtos financeiros, seja via descontos em apólices de seguro, seja pelo uso dos dados da produção de leite para justificar empréstimos.

Clientes que levam vidas caóticas e baseadas em dinheiro vivo

Poucos clientes nos países subdesenvolvidos têm o luxo de um trabalho com renda fixa. Com frequência, muitos vivem um dia após o outro, seja pela venda de produtos específicos (frutas, verduras, cosméticos) ou outros serviços temporários. Não bastasse essa situação precária, eles têm que lidar com despesas imprevistas como emergências médicas, problemas no carro, e pedidos de ajuda de amigos.

Consequentemente, sua vida financeira é muito mais complexa que aquela de clientes de países desenvolvidos. Nessa situação, os prêmios de seguro padrão ou contratos de renegociação de dívidas não funcionam, resultando no não pagamento de prestações, e calotes.

Algumas empresas estão criando meios mais inteligentes para ajudar pessoas em momentos de dificuldade. Um exemplo do mundo desenvolvido é o Uber´s Xchange, o qual permite que os motoristas participem de programas de leasing de curtíssimo prazo (alguns meses) que exigem uma pequena entrada. Como a empresa comenta em seu blog, “a chave para renda flexível é crédito flexível”. Outro exemplo é Malako, uma startup em Uganda que têm testado linhas de crédito flexíveis, administradas via smartphones, que clientes de baixa renda podem pagar quando recebem, permitindo-lhes realizar pagamentos mínimos quando não têm dinheiro – como um cartão de crédito.

As fintechs estão provando que podem criar alternativas para a infraestrutura dos países subdesenvolvidos. Elas podem desenvolver produtos flexíveis adaptados à vida das pessoas. E elas podem descobrir como gerar fluxos de dados que detalham a condição financeira de clientes potenciais. Elas podem desempenhar um papel importante ao inserir dois bilhões de clientes no mundo digital, melhorando tanto a sua vida como a economia desses países.

Artigo original: “Fintech Companies Could Give Billions of People More Banking Options
Autoria: Jake Kendall – Diretor da Digital Financial Services Lab. Anteriormente, trabalhou na Gates Foundation, no Banco Mundial e em duas startups no campo da criptografia.

Relatório sobre Fintech:

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Equipe Cedro

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