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Computação Cognitiva

No livro Os Meios de Comunicação Como Extensão do Homem, Marshall McLuhan explica que a tecnologia nada mais é do que a extensão do sistema nervoso cerebral humano. Do mesmo modo que nosso intelecto possui a capacidade de evoluir como resultado da síntese das experiências as quais nos submetemos, hoje, os softwares são capazes de seguir esse mesmo mecanismo.

O automóvel possibilitou ao homem maior mobilidade, ao passo que a computação cognitiva busca potencializar nossa capacidade intelectual.

A evolução da computação

Charles Babbage, criador do computador, substituiu com sua invenção, o ábaco, utilizado desde 2000 a.C., dando o pontapé inicial para a evolução dos computadores. O principal objetivo desse invento era efetuar cálculos em grande escala. Com o passar do tempo, a computação atinge um novo patamar, com a  criação do primeiro computador digital eletrônico de grande escala: o ENIAC (Electrical Numerical Integrator and Calculator). A eletricidade possibilita um avanço sem precedentes, fazendo com que o ENIAC consiga processar até 5 mil vezes mais informação que seus antecessores.

Com a evolução dos sistemas de cálculos, chegamos à computação atual, em que máquinas programáveis são capazes de efetuar as mais diversas tarefas. É com a chegada da terceira era da computação, que computadores deixam de ser apenas produtos para se tornarem parte da experiência de vida dos usuários, dando início a era da computação cognitiva.

O que é computação cognitiva

A computação cognitiva pode ser assim definida: capacidade de aprendizado de uma máquina, baseada na análise de experiências anteriores, possibilitando assim, a tomada de decisão pela máquina, de forma autônoma.

Onde podemos utilizar a computação cognitiva?

A computação cognitiva pode ser usada em qualquer atividade que contemple análise de dados para tomada de decisão. A principal vantagem em delegar esta atividade a uma máquina é a possibilidade de analisar um grande volume de informação e com maior precisão para a tomada de decisão.

Esses são alguns segmentos que já usufruem da computação cognitiva em suas operações:

  1. Mercado financeiro: utiliza a computação cognitiva em operações na bolsa através de robôs advisors, que baseados em algoritmos decidem sobre a melhor estratégia de investimento.
  1. Assistente virtual: também conhecidos como ChatBots, esses assistentes virtuais atuam no atendimento ao cliente em empresas, na abertura de contas em instituições financeiras ou auxiliando em tarefas diárias. Se utilizando de softwares cognitivos, esses assistentes virtuais interagem com seres humanos através de diálogo natural, sendo capazes de compreender variações de uma mesma expressão verbal e sinônimos de palavras, analisando dados para construir diálogos gramaticalmente coerentes.
  1. Bancos: através da análise e comparação de imagens, bancos conseguem fornecer a seus clientes uma experiência de utilização de seus serviços mais segura e prática. Após ter seu rosto escaneado e mapeado, o usuário consegue acessar sua conta e realizar operações. Analisando medidas do nariz, comprimento da boca e distância entre os olhos, o software consegue registrar padrões geométricos para compará-los sempre que o usuário efetuar seu login.
  1. Saúde: Um exemplo bastante interessante da utilização da computação cognitiva na saúde é uma parceria formada entre Microsoft e Hospital 9 de julho. Nesta parceria a computação cognitiva foi utilizada para diminuir quedas de pacientes de seus leitos no pós operatório. Através da tecnologia de vídeo analitico, o software consegue identificar um movimento fora do padrão de segurança e acionar instantaneamente a equipe médica, evitando assim uma queda.

Enfim, a obsolescência intelectual

A evolução que estamos presenciando no campo da computação, nada mais é do que a tentativa humana de recriar em uma máquina seu sistema neural. Em um curto espaço de tempo, saímos de máquinas primitivas de cálculos, para uma consciência eletrônica expandida, capaz de substituir o intelecto humano.

Hoje, o Big Data permite que todo o conteúdo público da internet seja analisado por redes neurais sofisticadas, se tornando assim um “inconsciente coletivo” eletrônico.

O armazenamento e disseminação de informação relevante, que na antiguidade era delegada aos mais velhos, passa a ser organizada em bancos de dados, transformando-os nos mentores intelectuais da modernidade.

Alguns teóricos preveem um mundo onde até mesmo a mão de obra intelectual humana será substituída pela Inteligência Artificial, entregando de vez nosso mundo às máquinas.

Não é difícil constatar que em breve nossos cérebros ficarão obsoletos. Por outro lado, em um futuro próximo, presenciaremos a quebra de um dos maiores paradigmas que nos norteia há séculos, a sociedade pautada pelo trabalho. Quando máquinas que antes nos serviam passam a nos influenciar, deixamos de ser protagonista para nos tornarmos coadjuvante. Imaginar o mundo sem a atual configuração de trabalho não deve nos angustiar, mas nos instigar. A partir do momento que pudermos delegar às máquinas as tarefas mais complexas e o trabalho não for pelo menos em parte, nossa responsabilidade, poderemos encontrar uma outra função nessa nova sociedade.

  1. Charles Babbage – https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Babbage
  2. ENIAC – https://pt.wikipedia.org/wiki/ENIAC
  3. Microsoft e Hospital 9 de julho – https://www.youtube.com/watch?v=n7o5p5Q_Los

 

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Bruno Luiggi

Bruno Luiggi

Formado em Comunicação Social e especialista em prospecção comercial. Atua na área de abertura de novos mercados na Cedro Technologies.