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Como aplicar tendências e inovações de TI para o Mercado Financeiro?

A cidade de Orlando, nos Estados Unidos, no início de outubro, foi palco do Gartner Symposium/ITxpo 2017. O evento, um dos mais importantes do mundo da Tecnologia da Informação (TI), é tradicional por revelar as principais tendências tecnológicas que vão afetar as estratégias das empresas no ano seguinte ao de sua realização.

Todas essas orientações estão associadas ao conceito de Inteligência Digital e entre elas é possível citar: alicerces da IA (Inteligência Artificial), plataformas de conversação – chatbots, blockchain, Bring Your Own Device (BYOD) e adaptação contínua do risco e da confiança.

Como então elas podem se transformar em inovações reais de TI para o Mercado Financeiro?

Praticamente todas as instituições financeiras já estão se mobilizando com o objetivo de modernizar e impactar o relacionamento e experiência com cliente, a produtividade e os processos de negócios, entre outros.

Nesse processo o surgimento e desenvolvimento das fintechs são grande motivação da aceleração de mudanças, seja competindo com o Mercado Financeiro tradicional ao oferecer novos e inovadores serviços ou mesmo ao trabalhar em conjunto com ele.

O Brasil não deixa nada a desejar no quesito adoção de novas tecnologias.

Confira algumas iniciativas inovadoras que, baseadas nas tendências apontadas pelo Gartner, já estão transformando a TI para o Mercado Financeiro no Brasil.

Alicerces da IA (Inteligência Artificial)

Até 2020 desenvolver sistemas que aprendem, se adaptem e consigam responder de forma autônoma serão alguns dos principais desafios também do setor Financeiro. Ao utilizar a Inteligência Artificial será possível melhorar a tomada de decisões, repensar os processos e ecossistemas de negócio, além de transformar a experiência do consumidor.

Empresas voltadas a oferecer a melhor experiência ao cliente poderão modificar tudo o que diz respeito à percepção e interação das pessoas com o mundo digital. Elas terão o potencial de se transformar ainda mais, oferecendo um portfólio de serviços ainda mais completo e personalizado.

Conheça a tendência na prática:

Cliente em primeiro lugar

Nubank fintech que oferece cartão de crédito digital sem taxas – surgiu da necessidade de experiências melhores nos serviços financeiros e tem a proposta de lutar contra a complexidade e empoderar as pessoas. Todas as suas ações e serviços são voltados para o bem-estar do cliente.

“Essa experiência positiva faz o usuário gostar tanto do Nubank. São vários fatores que contribuem para isso, como produto sem taxa e pouca complexidade, além de a pessoa ser tratada como ser humano”, explica Caio Poli, head de Customer Experience da empresa.

Investimentos na palma da mão

Banco do Brasil inovou com um aplicativo que gerencia investimentos de clientes de alta renda. O objetivo é melhorar sua experiência, com tecnologia que também permite analisar as modalidades de aplicação e atender a demanda por relatórios e extratos consolidados, com todas as informações de posição, rentabilidade e risco de seus investimentos.

O banco também estima reduzir seus custos em R$ 59 milhões nos próximos cinco anos. Atualmente R$ 10 milhões são gastos por ano na construção de portfólios para os grupos que compõem as carteiras de clientes.

Caixa Eletrônico e muito mais

Saque e Pague desenvolveu uma plataforma que une o mundo físico ao digital. Multibanco e multisserviços, a solução transforma terminais de autoatendimento comuns em pontos de venda. Nele é possível fazer a recarga de bilhete de transporte, transferências de um não bancarizado para um bancarizado, pagar contas com dinheiro sem ser correntista de uma instituição, emitir cartão, capturar e imprimir cheques e depositar dinheiro com crédito em tempo real, entre outras funções.

Presente em 16 estados brasileiros, os pontos ficam em lojas de varejo, onde, atualmente, são feitas mais de três milhões de transações por mês. A proposta é oferecer a melhor experiência ao cliente e ser uma extensão das agências, com serviços disponíveis 24 horas por dia.

Plataformas de conversação: Chatbots

Plataformas de conversação como os chatbots serão o próximo rompimento de paradigma na jeito como a humanidade conversa com o mundo virtual. A mecânica é simples: uma plataforma de chat inteligente recebe de uma pessoa uma pergunta ou comando, respondendo o que ela precisa, apresentando um conteúdo ou mesmo requisitando informações adicionais. Elas aprendem com as interações e assim melhoram ainda mais a qualidade do atendimento.

Os mecanismos de conversação já estão evoluindo em desenho e interação com os usuários. Eles também serão capazes de acessar e disponibilizar serviços vindos de outras bases e disponibilizar resultados muito mais complexos que os conseguidos hoje.

Conheça a tendência na prática:

Chatbot assertivo

O Banco do Brasil também usa chatbots para ajudar o cliente a tomar decisões em tempo real pela página no Facebook. O bot auxilia os correntistas sobre dúvidas e problemas com o cartão de crédito e, ao se apoiar em tecnologias de computação cognitiva e inteligência artificial, tem uma taxa de resolução de problemas que varia entre 70% a 80%.

Tudo em um

A 4all é uma plataforma all-in-one que busca facilitar a vida das pessoas. Pelo aplicativo seus usuários podem fazer reservas em restaurantes, pagar a conta, acessar estacionamentos, pedir comida e até recarregar cartões de transporte.

A plataforma também utiliza o chatbot 4bot. Em uma conversa informal dentro de uma aplicação integrada ao Messenger do Facebook, o sistema permite que o usuário faça um pedido e realize toda transação de compra.

Blockchain

Blockchain, tecnologia que permite toda a infraestrutura para transações com bitcoins, está se modificando e evoluindo para uma plataforma de transformação digital. Realidade entre os próximos dois ou três anos, segundo o Gartner, o novo ambiente irá muito além de realizar transações e ser um sistema que guarda registros. Ele será base para o fomento de inúmeros negócios disruptivos.

Conheça a tendência na prática:

Blockchain financeiro

Representantes do Bradesco, Itaú Unibanco e B3 (resultado da união entre BM&FBovespa e Cetip) demonstraram na prática como as instituições financeiras podem compartilhar dados em uma plataforma de blockchain. A ideia é que o cliente acesse um aplicativo de seu smartphone e escolha as instituições com as quais vai compartilhar o seu cadastro.

Na iniciativa, que faz parte de um projeto da Federação Brasileira de Bancos  (FEBRABAN) e foi realizada em abril desse ano, o protótipo mostrou como é feito o compartilhamento com um dos usuários da plataforma, vários ou todos. Um dos objetivos futuros será eliminar processos de conciliação de dados, além de garantir mais transparência e redução do tempo de liquidação financeira.

Segurança em BYOD

A adoção do conceito de BYOD (Bring Your Own Device), em inglês “Traga Seu Próprio Dispositivo”,  já é comum nas empresas de todo o mundo. O que muitas delas ainda não se deram conta é a necessidade de adicionar camadas de segurança para receber a conexão desses aparelhos.

A utilização de dispositivos pessoais (ou mesmo corporativos) dá aos funcionários produtividade e mobilidade em diversas situações mas, sem controle e segurança, os riscos de perda ou vazamento de informações são enormes.

Assim, adicionar uma infraestrutura que suporta todos os processos é mais do que necessário. É ela que vai garantir ao usuário facilidade de uso e de acesso para executar uma atividade, e, ao mesmo tempo, restringir downloads e impressões de informações internas, quando estiver conectando fora da rede da empresa ou por meio de um dispositivo não mapeado.

Conheça a tendência na prática:

BYOD seguro

A utilização corporativa de dispositivos móveis é uma realidade, e o Bradesco adotou as melhores práticas no seu uso em um projeto que resguarda as informações e melhora a eficiência operacional.

A implementação de uma política de Bring Your Own Device (BYOD) trouxe segurança e confiabilidade, possibilitando maior controle, rastreabilidade e monitoramento dos logs de usuário. O projeto também resguarda a organização contra fuga de informações e acessos não autorizados, bem como disponibiliza, de forma fácil e segura, acessos às aplicações e informações corporativas.

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Adaptação contínua do risco e da confiança

Adotar uma abordagem de avaliação contínua de risco e confiança (Continuous adaptive risk and trust assessment – CARTA) é uma das formas de avançar em termos de segurança. Em uma realidade de ataques agressivos e desenvolvidos especificamente para as instituições financeiras, os gestores de Segurança da Informação e Risco precisam estar atentos.

Sua incorporação às políticas da companhia permite a tomada de decisões baseadas na confiança e no risco em tempo real com respostas adaptadas a cada necessidade. Por exemplo, ela pode ser usada em processos de DevOps (uma união de Desenvolvimento e Operações) onde os profissionais precisam reduzir as barreiras entre o desenvolvimento e as operações.

Conheça a tendência na prática:

Fim dos roubos de identidade

Banrisul desenvolveu plataforma de transações seguras para a autenticação de clientes e colaboradores em aplicações de dispositivos móveis, que funciona como se o cartão estivesse sempre acoplado ao celular. Ela conta com criptografia, token, identificação e autenticação forte, igualando a segurança dos cartões virtuais à dos físicos com chip.

Para os clientes, a solução também permite a virtualização de cartões ainda não emitidos fisicamente. Dessa forma, é possível fazer compras logo após a abertura da conta, sem a necessidade de esperar a chegada do cartão físico.

FEBRABAN é termômetro

Pesquisa Tecnologia Bancária 2017, realizada pela FEBRABAN em parceria com a Deloitte, é um termômetro sobre a TI para o Mercado Financeiro. A entidade apurou que em 2016 os gastos com tecnologia somaram R$ 18,6 bilhões. Desse total, 45% foram empregados em desenvolvimento de software, 35% em hardware, 19% em Telecom e 1% em outras tecnologias.

Esse levantamento – que contou com a participação de 17 instituições financeiras que juntas são responsáveis por 91% do mercado no Brasil – revelou que o mobile banking se consolidou como o canal preferido dos brasileiros. No ano passado foram realizadas mais de 21,9 bilhões de transações – um crescimento de 96% quando comparado a 2015.

A preferência pelo mobile revela que o próprio consumidor dos serviços é quem impulsiona a adoção de novas tecnologias, tanto que 54% vão investir em customização que podem ser feitas pelo próprio consumidor. Já quando o assunto são as tecnologias disruptivas, 18% investem em computação cognitiva e 65% estudam a implantação de blockchain.

#InovaçãoSempre

Inovar é palavra de ordem quando o assunto é TI para o Mercado Financeiro.  Hoje a tecnologia coloca na palma da mão de milhões de clientes serviços bancários bem mais eficientes, uma evolução impossível de pensar sem a interligação desses dois setores.

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Eduardo Finzi

Eduardo Finzi

Eduardo Finzi é Diretor de TI da Cedro, com experiência como cientista da computação em empresas do segmento atacadista, telecom e financeiro.